Conheça a história do Mirante de Pipa

O cenário é a Praia da Pipa num fim de tarde de 1988. Chega na tranquila vila de pescadores um ônibus vindo de Natal, coberto de poeira. Os turistas ainda eram poucos na Pipa, a maior parte deles surfistas das grandes cidades próximas que tinham começado a vir pra Pipa havia poucos anos.

De dentro do ônibus desce um jovem vindo do Rio de Janeiro, cansado da longa viagem pela estrada esburacada. Mas seus olhos brilhavam, encantados com a beleza da região. Desde que o rapaz vira a Lagoa Guaraíras e as falésias e dunas da Praia de Cacimbinhas, alguns minutos antes, alguma coisa no coração dele dizia que aquele lugar seria o seu lugar. Virou certeza quando conheceu a beleza das praias da Pipa.

Vamos avançar rapidamente dois anos – agora estamos em 1990. O jovem desce do ônibus empoeirado de novo, mas dessa vez com sua companheira, vindos novamente do Rio de Janeiro. Ele analista de sistemas e ela designer, e agora já são proprietários de um terreno de 16 mil m2 na vila. Uma área próxima ao Centro, um terreno que divide a Praia do Centro e a Praia do Amor. Mas ninguém por ali dá muito valor àquela pequena montanha desmatada há muitos anos para plantio de mandioca e feijão, que agora é apenas uma duna com pouca vegetação e grandes fendas abertas pelas águas das chuvas. Uma área íngreme e seca, sem grande serventia.

Ajuda dos coqueiros – Mas o casal sabia o valor e a importância daquela área. Sabiam que, com paciência e dedicação, seria possível recuperar a mata original. E foi esse o trabalho deles desde então. O primeiro passo foi cobrir tudo com cascas de coco para resfriar o solo, aumentar a umidade e estimular a chegada de vegetação rasteira. Além de emprestar as cascas de seus frutos, os coqueiros tiveram outro importante papel na contenção das enxurradas que varriam as sementes e a vegetação do morro durante as chuvas fortes: troncos serrados em pedaços de cerca de 60 cm foram usados para a construção de degraus, que continham a força da água e também serviam como escadas para acessar as partes mais altas do terreno. Com o tempo e com o gradativo aumento da umidade e da variedade da fauna e da flora presentes, foram chegando mais e mais pássaros trazendo sementes de plantas nativas, que aos poucos iam brotando. Enquanto isso acontecia, eles iam plantando e cuidando de mudas de espécies nativas resistentes à seca.

Pousada em meio à mata – Hoje, passados vários anos, esse monte verde destaca-se na paisagem da Praia do Centro, e não se vê nem traço do amarelo claro da areia. A vila cresceu ao redor, muitas áreas que nos anos 1990 eram de mata fechada hoje se transformaram em condomínios e pousadas, mas o morro do Mirante segue preservado e totalmente reflorestado, tomado por árvores nativas, pássaros e pequenos mamíferos. E quem vê essa beleza toda da praia não imagina que ali naquela mata existem várias construções, entre elas chalés e casas que compõe o complexo que inclui a Pousada Mirante de Pipa e o Mirante Sunset Bar. Todas as construções estão delicadamente camufladas entre as os cajueiros, guabirabas, muricis e cajaranas, onde vivem dezenas de espécies de pássaros, iguanas, camaleões, tatus, micos e timbus.

As primeiras construções representaram grandes desafios para o casal devido às condições do terreno. Técnicas com o uso de estruturas de madeira e fixação das vigas principais sobre pilares e paredes de tijolos brancos secos ao sol e cozidos no forno foram aprendidas com os construtores tradicionais locais e são usadas até hoje em todos os projetos. Para isso eles inspiraram-se em experiências arquitetônicas de vários residentes europeus apaixonados pela região. O projeto de cada uma das unidades foi desenvolvido individualmente, sempre tirando o máximo proveito da brisa do mar que atravessa livremente as janelas e ventilam constantemente o interior dos chalés tornando esses alojamentos extremamente agradáveis. Um conceito único em função do vento, do sol, das árvores e do declive do terreno.